Houve época em que as balconistas que preenchiam nossos formulários perguntavam "religião?" apenas para cumprir formalidade. Nem mesmo esperavam a resposta e já marcavam x em "católica", e ficavam assustadas quando dizíamos "protestante" ou "evangélica", o que geralmente implicava rasurar o formulário preenchido errado. Naquela época os evangélicos eram traço nas pesquisas e censos populacionais. No Brasil, todo mundo era católico. Ou quase todo mundo. Mas havia grande diferença entre minha avó, que rezava o terço, ouvia a Ave Maria religiosamente às seis da tarde, freqüentava a missa dominical e até recebia visita do padre em casa, e os milhões de brasileiros que apareciam na missa apenas em dia de batizado de sobrinho e casamento de amigo. Foi então que surgiram as categorias: católico praticante e católico nominal. A expressão "praticante" faz lembrar Tiago, apóstolo: "sejam praticantes da palavra de Deus e não apenas ouvintes".
O católico praticante era devoto, comprometido e razoavelmente consciente de sua fé. O nominal acreditava em Deus e nosso Senhor Jesus Cristo, mal e mal sabia rezar o Pai Nosso, e na verdade se dizia católico porque o pai, a mãe, os avós e a família toda se dizia católica, mas seu catolicismo não tinha nada a ver com sua maneira de viver. A igreja é contra o aborto? E daí? Contra o controle da natalidade? E daí? Contra o divórcio? E daí? Não era raro encontrar um católico que acreditava em reencarnação e horóscopo e até mesmo alguns que reverenciavam os ídolos afro e respeitavam os pais e mães de santo. No Brasil, o espiritismo, a macumbaria e o catolicismo, sempre andaram de mãos dadas.
Os protestantes, ou crentes, ou "os Bíblia" eram diferentes. Não se misturavam. Achavam que somente eles (ou alguns deles) iam pára o céu. Eram rigorosos em questões morais, pelo menos comportamentais: zelavam pelo sexo apenas no casamento, não fumavam, não bebiam, não dançavam, não jogavam na loteria ou qualquer jogo de azar - baralho nem pensar, não assistiam futebol aos domingos, e tinham aversão às palavras ecumenismo e comunismo.
Pois os tempos mudaram. E mudaram muito. Os protestantes se tornaram evangélicos. E os evangélicos se tornaram cada vez mais parecidos com os católicos, inclusive flertando com o espiritismo e a macumbaria. As igrejas evangélicas estão repletas de evangélicos nominais, que provavelmente jamais ouviram falar em novo nascimento, discipulado, das confissões credais da tradição da cristã.
Para praticar a palavra de Deus é preciso conhecê-la, estudá-la, amá-la. Para praticar a palavra de Deus é preciso amor. Praticar como quem pratica as primeiras obras, no primeiro amor.
extraído: http://www.ibab.com.br/ed070311.html








Matias







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