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segunda-feira, agosto 10, 2009

ESPIRITUALIDADE NO MUNDO DO TRABALHO

A palavra espiritualidade suscita diversas imagens. Para a maioria das pessoas, entretanto, sugere a contemplação, num ambiente calmo, sereno e tranquilo. Dificilmente a palavra espiritualidade evoca a agitação da vida diária, o barulho de uma fábrica, a inquietação de uma equipe de alta performance, a tensão de um corredor de hospital, o movimento irrequieto dos adolescentes em uma sala de aula, a lotação de um trem do metrô no final da tarde, o plenário de uma câmara de vereadores, a gritaria de uma feira ou a graxa de uma oficina mecânica. No imaginário popular, certamente a espiritualidade é uma coisa própria dos templos com suas liturgias, dos adeptos de um culto ou praticantes de uma fé e especialmente dos clérigos e sacerdotes religiosos. Não é sem razão que esse abismo entre as coisas de Deus e as coisas do mundo está presente no (in)consciente das pessoas. Um dos maiores clássicos da espiritualidade cristã data do século XV, a saber A imitação de Cristo, de Thomas a Kempis. Motivado por sua sincera piedade, Kempis escreveu coisas como: “Esta é a maior sabedoria: o desprezo do mundo para se aproximar do reino dos céus”; “É realmente uma agonia ter de viver na terra”; e ainda: “Toda vez que caminho entre os homens, volto menos homem”. Palavras piedosas de outrora, que hoje não fazem mais sentido. Ficou no passado o tempo em que a conotação da palavra espiritualidade implicava o absoluto antagonismo entre céu e terra; sagrado e profano; espiritual e secular. Por outro lado, não podemos esquecer que a tradição cristã também enfatiza a espiritualidade fincada no solo da vida diária. Teresa de Lisieux falava do “pequeno caminho” da espiritualidade no cotidiano; Inácio de Loyola, Francisco de Assis, Madre Tereza e muitos outros enxergavam Deus na face das pessoas no dia-a-dia. Benedito, fundador do monasticismo, tinha por lema “orar e trabalhar”. Martinho Lutero falava do sacerdócio de todos os cristãos e os reformadores colocavam o trabalho no centro das vocações cristãs. Martin Luther King Jr e Desmond Tutu basearam em sua fé todo o compromisso e engajamento na luta pela dignidade humana. A verdade é que “convidado ou não, Deus está presente”, como escreveu Carl G. Jung sobre a porta de seu consultório. Teilhard de Chardin escreveu: “[Deus] está, em certo sentido, na ponta de minha pena, de meu pincel, de minha agulha – e em meu coração, em meu pensamento. A conclusão do traço, da linha, do ponto de costura em que estou trabalhando é que me fará entrar em contato com a meta final a que tende minha vontade em seus níveis mais profundos”. Essas e outras convicções justificam o fato de que iniciamos amanhã, no Segunda Opinião: Fórum de Reflexão Bíblica e Teológica da Ibab, o estudo do tema “espiritualidade no mundo do trabalho”. Cremos que, se de fato, a palavra espiritualidade nos remete às possibilidades da experiência e do relacionamento com o Deus de quem não podemos nos evadir, pois, como afirmou o apóstolo Paulo aos atenienses: “nEle vivemos, nos movemos e existimos”, então é verdade também que todas as áreas e dimensões da vida estão relacionadas a Deus, e Deus está intrincado com tudo quanto existe e acontece. Queremos viver, portanto, a máxima que dá sentido à vida qualificada como cristã: “seja comer, seja beber, ou qualquer outra coisas a fazer, que tudo seja feito para a glória de Deus”.


2009 Ed René Kivitz

sexta-feira, agosto 07, 2009

PAIS HERÓIS.

Existem hoje em nosso calendário inúmeras datas comemorativas, aliás, acho que o Brasil é o país que possui a maior quantidade de feriados e recessos. O dia dos Pais, assim como o dia das mães e tantas outras datas especiais acabaram por ser tornar datas estritamente comerciais.
É importante ressaltar a figura paterna e sua importância não só em uma data específica (bem como a materna), mas reverenciá-la e respeita-la continuamente.
Fico olhando para as personagens da Bíblia e me deparo com inúmeros exemplos de pais que fizeram diferença na sua casa, na sua família e consequentemente, na vida da sua sociedade.

1º - Jó – Um pai zeloso e intercessor: O texto no livro de Jó afirma que ele constantemente buscava a presença do Senhor, era um homem extremamente temente a Deus. Mas o fator mais ressaltante dentro do tema que abordamos é sua preocupação em interceder a Deus com constância em favor dos seus filhos. “Talvez os meus filhos, lá no íntimo, tenham pecado e amaldiçoado a Deus” (Jó 1:5c). Jó tinha em si o espírito de sacerdote da sua casa. Ele sabia que, como pai, era seu dever interceder pelos seus.

2º - José – Amor acima de tudo: Mesmo ainda não sendo marido de Maria, ele é surpreendido quando a mesma o aborda dizendo que recebeu a visita de um anjo, o qual falou que o ventre dela geraria um neném, o qual deveria se chamar Jesus. Imagine agora qual a reação desse homem, que, vê seu nome e sua honra colocada em risco por esta “suposta” visão. Ainda sim, ele resolve não fugir e abraçar a Jesus como seu filho. “Disse o anjo: Não tema em receber Maria como sua esposa...” (Mt. 1:20b). Em outras palavras, José adotou Jesus. Deu a ele todo amor, carinho, afeto, mesmo sabendo que a sua gestação havia ocorrido por obra e graça do Espírito Santo. Acima de tudo, José amou a Jesus.

3º - Abraão – Um pai provado e aprovado: “Toma teu filho, teu único filho... e sacrifique-o ali como holocausto...” (Gen. 22:2). Sara não podia ter filhos. Isaque é fruto de uma promessa de Deus a Abraão e Sara, quando os dois já se encontravam em idade avançada. Agora aquele pai, que passou sua vida toda desejando esse filho é abordado por Deus, o mesmo Deus que o deu, para que ofereça o seu filho em sacrifício. Já imaginou qual seria a sua atitude no lugar de Abraão, no lugar daquele pai? O que você faria?
No final de tudo Deus prova o amor de Abraão para com Ele, e Isaque é poupado. Mas apesar da dor, do sofrimento, da angústia, Abraão foi obediente à voz de Deus. Até o fim.

Conclusão
A Bíblia nos traz exemplos de homens que eram pais como você, mas que acima de tudo eram Servos de Deus. O pai cristão deve em primeiro lugar ter Deus como o Senhor da sua vida. Deve antes de ser pai, ser filho obediente do Pai das Luzes. Deus tem ricas bênçãos para a família daquele que entende que ser pai é um sacerdócio que precisa constantemente da orientação e ajuda daquele que entregou seu Filho, seu único Filho, em favor da humanidade.

Pr. Marcelo Matias.
http://prmarcello.blogspot.com

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